Às vezes o departamento de marketing e produto das montadoras demora a entender o que o cliente procura. É o que ocorreu quando os primeiros veículos aventureiros surgiram no Brasil. Logo que chegaram, Palio Adventure, EcoSport e CrossFox trouxeram muitas soluções estéticas e práticas trazidas dos jipes como quebra-mato, estribos e racks transversais. A leitura que as marcas desses modelos fizeram é que o consumidor queria um carro mais valente e capaz de encarar alguma trilha mais leve.
No entanto, a experiência com as primeiras versões mostrou que o que o brasileiro quer mesmo é um automóvel com visual mais agressivo, posição de dirigir mais alta e um caráter “aventureiro urbano”. É o que constatou a Volks ao apresentar hoje o novo CrossFox para a imprensa. Segundo Fabrício Biondo, gerente executivo de marketing, quase metade das vendas do modelo são feitas em três grandes capitais: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Com esse feedback nas mãos, a montadora redesenhou o CrossFox seguindo a filosofia de um carro de linhas modernas e atemporais, elegante, mas com porte avantajado. Basta comparar o novo com o velho para ver que os apetrechos off-road praticamente sumiram. Nada de quebra-mato e os estribos passaram a ser mais discretos. Já o rack é longitudinal, colaborando com a aerodinâmica e permitindo que o carrinho possa oferecer teto solar como opcional.
Boca de tubarão
Não que o CrossFox tenha perdido a valentia. A frente, por exemplo, tem uma grade inferior em “formato de mandíbula de tubarão”, segundo Luiz Alberto Veiga, o designer-chefe da VW no Brasil. Os faróis de profundidade e de neblina agora estão juntos num só refletor, de proporções imensas. E a Volks quis aproximá-lo dos crossovers mais caros como o Tiguan. O rack, por exemplo, é idêntico ao deste último e pode receber seus acessórios.
O interior segue quase a mesma receita do Fox Prime, mas tem tecido personalizado com desenho da raposa e opção de couro por caros R$ 3 448. Há pedaleiras e uma pequena inscrição “Cross” na manopla do câmbio. De resto, a mesma aparência do Fox exceto pelo botão de abertura da tampa do porta-malas.
Suporte mais discreto e seguro
Por falar em tampa do porta-malas, uma das soluções mais criticadas do primeiro CrosssFox, o suporte do estepe externo, foi completamente repensado. O anterior, além de ser pouco prático e fixado na lateral do carro, era de certa maneira fácil de ser roubado.
De acordo com Veiga, “o novo suporte consumiu cinco meses do desenvolvimento do novo CrossFox”. Isso porque a Volks queria torná-lo mais limpo, sem parafusos aparentes e que sua fixação fosse feita no para-choque.
A solução foi instalar todo o conjunto como uma extensão do para-choque e disponibilizar uma mola a gás para estender o estepe após aberto e mantê-lo travado quando o proprietário estiver carregando o porta-malas. Este é aberto quando a mola atinge seu curso máximo.
O problema de roubo do estepe também mereceu atenção: agora um dos parafusos de fixação está colocado do inverso e só pode ser desapertado de dentro para fora.
Melhor na cidade
A Volkswagen diz que o novo visual reduziu o arrasto aerodinâmico em 7% e por isso esperávamos um desempenho um pouco melhor em velocidade máxima. Pelo contrário. Os 10 kg a mais e o escalonamento do câmbio mais curto deixaram o CrossFox levemente mais lento em aceleração e velocidade final, além de consumir um pouco mais de combustível na estrada – em compensação, o rendimento na cidade está relativamente melhor.
Durante a avaliação, confirmamos que o comportamento durão do carro continua o mesmo. A suspensão é bastante rígida para compensar a altura privilegiada, o que se reflete num carro mais na mão, mas um tanto desconfortável em pisos irregulares. O bom conjunto mecânico do motor VHT 1.6 e o câmbio MQ200 continuam cumprindo sua função com sobras.
Mais caro numa ponta e mais barato na outra
A divulgação do preço do novo CrossFox tornou-se confusa. Durante a apresentação estática do carro, nesta quinta-feira, falou-se em R$ 49 400, mas hoje o valor oficial revelou-se menor: R$ 45 549. É mais do que a versão anterior (R$ 42 848), mas a VW acrescentou vários itens de série como trio elétrico, ajuste de altura e profundidade do volante, repetidores de setas nos retrovisores e computador de bordo.
Além disso, existem agora alguns opcionais novos como o teto solar, o sensor de estacionamento e novo volante multifunção, entre outros. Equipado com todos os itens possíveis, o novo CrossFox custa R$ 61 635 contra R$ 63 180 do anterior. Mas basta pensar que agora ele oferece mais itens e que possui um interior muito superior para chegar à conclusão que o novo modelo é muito mais carro que o antigo. Agora será que vale a pena gastar quase o mesmo que um Corolla num carro que nasceu como popular?



