Esse mundo está mesmo de pernas (ou rodas) pro ar, diriam alguns. Depois dos utilitários esporte da Mercedes, BMW, Cadillac e até da Porsche, só faltava mesmo a tradicional Lincoln, marca de luxo do grupo Ford com um perfil dos mais conservadores, lançar um picape. Agora não falta mais.
O Blackwood não é bem uma novidade: foi apresentado como carro-conceito no Salão de Detroit de 1999 (saiba mais) e deriva diretamente do SUV Navigator (leia apresentação), por sua vez uma execução sofisticada do Ford Expedition. Todos são baseados no picape F150, um intermediário entre o Ranger e o F250 que não existe ainda no Brasil. Feita as apresentações, vamos aos detalhes.
A frente é a mesma do utilitário-esporte Navigator, mas a caçamba do picape tem uma cobertura rígida e tampa traseira bipartida
A primeira surpresa com o Blackwood é sua semelhança com o pioneiro Ford Modelo T, ao menos num aspecto: pode ser adquirido em qualquer cor, desde que seja preto. A cor, ou falta dela, estende-se ao painel, console e ao revestimento de couro Connolly dos bancos, fugindo do gosto norte-americano por tons claros — certamente seria um sucesso aqui, apesar de nosso calor tropical…
Disponível apenas como cabine-dupla de quatro portas, o picape traz uma caçamba com cobertura rígida que a Ford chama de cargo trunk, ou porta-malas para carga, procurando afastar-se do perfil utilitário. Faz algum sentido, pois é um compartimento carpetado, com acabamento em aço inoxidável nas laterais e iluminação por LEDs. Além da tampa superior, há duas portas traseiras, mas a capacidade de 750 litros é modesta para um picape.
“Porta-malas para carga”: revestimento carpetado e laterais em aço inox. Acima o V8
Apesar das generosas dimensões — como 3,51 metros entre eixos –, o Blackwood tem apenas quatro lugares, com largos consoles centrais na frente e atrás. Os bancos dianteiros possuem dispersão de ar quente ou frio pelo revestimento perfurado, sistema inovador adotado no Navigator em 2000, mais rápido e silencioso que o climatizador normal que o picape também oferece.
Os requintes incluem três memórias para a posição do assento, pedais ajustáveis e retrovisores, sistema de áudio Alpine com 140 watts de potência e toca-CD para seis discos, cinco tomadas de energia para acessórios, sistema auxiliar de estacionamento e sistema de navegação, o único opcional. Só não espere o revestimento em madeira nas laterais da caçamba, adotado no carro-conceito de 1999: no modelo de produção há apenas uma decoração semelhante, mas em plástico.
Interior requintado e todo em preto, também a única cor externa. Pedais reguláveis com memória, bancos que exalam ar frio ou aquecido e sistema de navegação são destaques
A mecânica do Blackwood é a mesma do F150, com um V8 de 5,4 litros, 32 válvulas e 300 cv, câmbio automático de quatro marchas e tração apenas traseira. As diferenças são as rodas de 18 pol, com pneus Michelin 275/55, e a suspensão traseira, com molas parabólicas e molas auxiliares pneumáticas. Todos os amortecedores possuem sensor de velocidade de compressão e descompressão, para se adaptar a cada solicitação, como ao passar por irregularidades, além de manter nivelada a altura de rodagem.
E para que um cliente Lincoln desejaria um picape? Segundo a marca, para atividades de lazer que envolvam rebocar veículos, como lanchas, o que um pacato Town Car não poderia fazer. Resta saber quantos deles pagarão US$ 52.500, nos Estados Unidos, para abdicar do conforto e do comportamento dinâmico dos bons automóveis que se compram com esse valor.



