É difícil encontrar um entusiasta automotivo que não deseje colocar as mãos em um bólido da Ferrari. O difícil é ter dinheiro o suficiente para concretizar este sonho. Mas alguns, ainda mais ricos do que o necessário para adquirir um exemplar, agora podem ter um pedaço da marca. É o que aponta Sergio Marchionne, chefão do grupo Fiat. Após comprar de volta por 133 milhões de euros os 5% de ações que estavam nas mãos do grupo de investimento Mubadala Development de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, desde 2005, o grupo Fiat obteve os 90% de controle acionário da companhia. Os outros 10% pertencem ao segundo filho de Enzo Ferrari, Piero. O anúncio da intenção de lançar ao público as ações da Ferrari não veio antes para não atrapalhar a transação de compra da parcela de 5%, que vem justamente no momento em que o parque temático da companhia é inaugurado no país do oriente médio. Também coincide com o fracasso da escuderia nesta temporada de Fórmula 1, algo delicado para a Ferrari, que carrega o peso de ser um símbolo italiano que diga o chairman da marca, Luca di Montezemolo, cuja cabeça é sempre pedida após as derrotas. A decisão de oferecer ações não quer dizer que a Fiat está disposta a perder o controle acionário do fabricante de esportivos e escuderia, que detém desde 1969. O controle majoritário será mantido. Porém, as demais ações podem ser vendidas em um negócio bilionário, já que analistas avaliam a Ferrari em US$ 3,3 bilhões, um valor que tende a se valorizar com o anúncio da oferta, como tem ocorrido com as ações da General Motors, que planeja o seu retorno às bolsas de valores. É o tipo de dinheiro que fará bem ao caixa da Fiat, que planeja o aumento de participação dentro do grupo Chrysler.
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