A Audi parece compartilhar daquele hábito de se deixar o melhor para depois. Em geral, a versão superesportiva de um determinado modelo da marca de Ingolstadt surge mais para o fim da linha, talvez para ressuscitar o interesse e os elogios que animam qualquer carro, por mais que esse esteja para se despedir. É aquele tom de grand finale, que aparece novamente, só que desta vez sob a forma do Audi RS3. O A3 Sportback anabolizado é o primeiro a receber essa denominação, antes restrita do A4 para cima. Atrasos a parte, o médio misto de perua com hatch não decepciona.
Como se tornou comum no grupo VW e na Audi, o motor não é um daqueles seis cilindros capaz de levantar questionamentos sobre emissões e consumo. Mas também não é um esforçado quatro cilindros. Sob o capô, o RS3 fica com uma solução intermediária: um cinco cilindros 2.5, semelhante ao que equipava a geração anterior do Jetta e virtualmente igual ao motor do TT RS. É um reforço no caminho de retorno da marca, que havia abandonado os antigos cinco cilindros que tantas alegrias deram ainda na década de 1990. Bem trabalhado, com turbocompressor, intercooler e injeção direta, o cinco em linha despeja 340 cv de potência a 6.800 rotações e um torque de 45,8 kgfm entregue em uma faixa que vai dos 1.600 giros às 5.300 revoluções. Tudo jogado criteriosamente nas quatro rodas, graças à tração integral quattro. Como de costume nos Audi mais envenenados, o câmbio é o eficiente DSG de dupla embreagem e sete marchas. As trocas rápidas e a aderência fazem sua parte na aceleração até os 100 km/h em 4,6 segundos, tempo capaz de competir de igual para igual com o RS6, equipado com um V10 5.2 biturbo de nada singelos 580 cv. Deixa para trás o S3 2.0 TFSI de 265 cv por um segundo inteiro (1,1 s, para ser mais exato). A velocidade máxima fica nos 250 km/h. Para acolher tamanho entusiasmo, as bitolas dianteira e traseira foram alargadas. A suspensão é 2,5 cm mais baixa, com amortecedores e molas mais esportivos. Em aparência, o agressivo cartão de visitas do RS3 são as entradas de ar no para-choque dianteiro, grandes e tensionadas como ventas, como se estivessem a aspirar o ar mesmo com o carro parado. Mudam também os alargados para-lamas frontais, feitos em plástico reforçado com fibra de carbono. Os retrovisores em alumínio fosco também são exclusivos, tal como o spoiler traseiro. Atrás, o motorista que for ultrapassado poderá perceber o difusor traseiro em preto brilhante, que acolhe duas robustas saídas de escape, daquelas que parecem capazes de mesmerizar os passantes e os ultrapassados. Logotipos com a inscrição RS3 posicionados na característica grade dianteira trapezoidal e na tampa do porta-malas desfazem qualquer mal entendido. Os bancos são recobertos por couro do tipo Nappa, acamurçado, com costura pespontada em fio prata.
O estilo pronto para as pistas está no volante de base achatada. Instrumentos são especiais, com direito a um cronômetro. Pelo preço base de 49.900 euros na Alemanha, o RS3 vem com ar-condicionado, sistema de regulagem eletrônica da suspensão, sensores de estacionamento traseiros, faróis de xenônio com luzes diurnas, entre outros itens. Qualidades que podem fazer esquecer o fato de que o A3 foi lançado no longínquo ano de 2003 e que está para ser substituído no ano que vem. É que na Audi, o canto do cisne ronca mais alto.



