Lançado comercialmente em março do ano passado, o Tata Nano chegou ao mercado fazendo barulho. Barulho que não vinha exatamente do motor bicilíndrico traseiro de 624 cm³, mas sim da etiqueta de preço. Partindo de US$ 2.200, o carrinho indiano de 3,09 metros prometeu mudar o padrão de motorização da Índia. A gigante Tata mirou nas famílias que buscavam algo mais do que uma motocicleta para se locomover. Parecia crível, ainda que a diferença de preço superior a 40% em relação às motos mais vendidas pudesse atrapalhar os planos.
Entre a concepção e a produção, alguns problemas surgiram. Ainda na fase de projeto, o Nano sofreu com o atraso na instalação da planta produtiva. Depois do início da comercialização, casos de incêndio chamuscaram a imagem do carrinho. A marca nem poderia atribuir o problema ao descaso na manutenção, já que teve Nano que pegou fogo logo após sair do concessionário. Casos de incêndio já marcaram a imagem de modelos de vários segmentos. No Brasil, podemos listar o Fiat Tipo, Volkswagen Kombi e, até mesmo, Ferrari 458 Italia. Ainda assim, com 200 mil pedidos de compra, o Nano parecia deslanchar. Pelo menos até esse semestre. Em novembro, foram apenas 509 unidades vendidas, contra 3.065 de outubro passado. O motivo pode estar no aumento de preço de US$ 200, que corresponde a 10% do preço do subcompacto. Nessa faixa de mercado, um aumento dessa monta já repele a maioria dos interessados, que ainda devem estar temerosos em relação aos casos de incêndio. O gigante industrial Tata pretende agir para reverter a situação do carro mais barato do mundo. Além do incremento da rede de concessionários, seducão dos motociclistas e reforço ao financiamento, a companhia vai buscar consumidores que não são motoristas. Segundo o jornal indiano The Hindu Business Line, a Tata está até mesmo realizando test drives para convencer esse público não habilitado a comprar o Nano. Espero que seja em lugar fechado, longe das caóticas ruas das grandes cidades indianas.



