Há outras iniciativas sérias, sim, mas bem mais modestas como é o caso da Brilliance, mas vamos voltar às duas marcas mais fortes até o momento. A Chery já é uma realidade e beira mil unidades vendidas por mês, algo que nenhuma outra conseguiu. A JAC se credencia pelo representante Sergio Habib, homem acostumado a vender requinte e luxo.
Mas as duas não terão vida fácil. A JAC, por exemplo, tem como virtude a identidade visual de seus carros. Segundo me disse o designer-chefe da marca, o chinês Lou Tik, “desde o início queremos ser uma marca global e para isso é preciso ter uma cara própria”. A geração que chega no ano que vem – J3, J5 e J6 – pode não ser lá muito atraente, mas tem sentido. O novo J2 é bem melhor e, segundo Habib, o que virá por aí é que o fez escolher representá-la.
Nem por isso elas não cometam deslizes. Habib revelou que foi preciso melhorar diversos componentes, peças e acessórios para tornar os JAC aceitáveis ao nosso mercado. Até isolamento acústico maior foi preciso adaptar. Quem for ao salão e entrar num dos seus carros poderá reparar que as portas fecham com facilidade, coisa que o QQ, por exemplo, tem extrema dificuldade. A JAC, como disse antes, tem uma estratégia muito mais profissional, mas o fato é que os carros chineses ainda têm pontos fracos que só novos projetos podem resolver. O interior do J3 e mesmo do J5 são bem sem graça. Os paineis de instrumentos que o digam.
A Chery, por mais que queira parecer que sabe o que está fazendo, mostra sinais de desorganização. O compacto QQ já e prometido desde o final do ano passado e agora ficou para março de 2011. Luiz Cury, o presidente, disse que o nome Fulwin é oficial para depois corrigir e explicar que alguns países não aceitaram o nome. Perguntamos se o Tiggo receberá a reestilização vista na China e o executivo respondeu que “isso não existe”. No entanto, a velocidade com que os carros melhoram é impressionante. Quem for ao salão verá que a distância entre alguns modelos é abismal. Você entra em um e acha básico demais, aí pula para outro e já acabamento melhor e itens com bom gosto. Por enquanto, eu prefiro esperar por uma safra bem mais moderna.
São eles o hatch S18, a família Fulwin, que inclui um sedã e um hatch, e o compacto QQ, que chegará para a briga na porta de entrada do mercado, com preço muito competitivo: R$ 20 mil, mais barato que um Fiat Mille ou um Effa M100. Assim, a Chery simplesmente dobrará sua gama de modelos no Brasil. A previsão da estreia dos modelos é março de 2011. Ainda na apresentação no Anhembi, foram divulgados dados de investimento na planta de Jacareí (SP), que deverá iniciar sua operação em 2013. A fábrica que será modular e contará com duas linhas de produção terá um aporte de US$ 400 milhões da montadora. A presença da Chery não se ampliará apenas na quantidade de carros: a rede de concessionários, que atualmente possui 52 unidades plenas, deverá fechar 2010 com mais 20.
Certamente, este nome será trocado por algo mais “ocidental” ou, pelo menos, que tirem o número 2 dali. Mas o Fulwin 2 é um carro curioso. Suas dimensões são mais generosas que outros compactos, mas não chegam a ser de um médio. Ou seja, pode ser uma espécie de compacto premium chinês.
Chery Fulwin 2
Produzido nas versões hatch e sedã, o modelo tem um design bem original, seja lá se isso significa algo positivo ou negativo. A traseira do hatch nos lembrou na época das primeiras fotos uma espécie de Série 1, mas estávamos enganados, basta ver como fomos massacrados nos comentários.
O motor é 1.5 de 107 cv de potência e o câmbio, manual. Agora, reparem no painel do Fulwin 2. Além dos mostradores normais, há duas fileiras “digitais” à frente do motorista e do passageiro. Será que o Fulwin é como um avião, que precisa de co-piloto?!
Chery Fulwin 2
Enfim, interessante saber que a Chery quer bater de frente com os gigantes Fiat, Volkswagen e Chevrolet onde eles mais vendem carros, o segmento de compactos. Ah, sim, o Fulwin 2 estará no Salão do Automóvel.
A traseira, no entanto, continua cópia do RAV4, mas o acabamento geral parece ter melhorado. Painel novo, bancos e revestimentos com aparência mais agradável e alguns cuidados que a versão vendida aqui não mostrou na época do lançamento.
Chery Tiggo 2011
A boa surpresa é que na China o Tiggo ganhou um motor 1.6 turbo com 150 cv que permite a ele acelerar de 0 a 100 km/h em 10,1 segundos. Quem sabe a Chery brasileira não resolve trocar o 2.0 por esse novo propulsor. Pelo andar da carruagem, devemos ver o novo Tiggo no começo de 2011 no Brasil.
Os dois modelos contam com câmbio manual de 5 marchas e são movidos, no caso do Cielo, por um motor 1.6 16V de 119 cv enquanto o Tiggo utiliza um 2.0 16V de 135 cv. O grande apelo dos veículo reside no custo/benefício já que vem equipados de série com ar-condicionado, trio elétrico, direção hidráulica, airbag duplo e freios ABS.











