A empresa de preparação COBB Tuning divulgou nesta quarta-feira, seu projeto de preparações em um Nissan GT-R que roda com E-85, mistura de 15% de gasolina e 85% de álcool. Aparentemente, os gringos estão descobrindo que o combustível vegetal, que possui maior octanagem e razão estequiométrica em relação à gasolina comum, pode fornecer maior desempenho e torque a um propulsor.
Vamos à aula avançada de química para entender a questão: apesar do álcool gerar em média 32,8 % menos energia do que a gasolina – ou seja, menos calor -, o combustível vegetal possui duas vantagens em relação ao combustível fóssil para gerar desempenho. O primeiro deles é chamada “razão estequiométrica”. Enquanto para queimar um 1 litro de gasolina são necessários – em média – 14 litros de ar (ou seja, relação estequiométrica de 1:14), para queimar um 1 litro de álcool é necessário utilizar aproximadamente 9 litros de ar (1:9). Portanto, no mesmo espaço dentro do motor que seria queimado 1 parte de gasolina, será queimada 1,36 partes de álcool, o que por si só, já compensaria a menor potência do combustível vegetal.
A segunda razão é que o álcool possui maior octanagem do que a gasolina, o que significa que o combustível (com sua fórmula química mais estável) resista à maior pressão e temperatura antes de entrar em combustão. Isso permite, por exemplo, que maior pressão possa ser utilizada no turbo sem que o motor sofra com o problema de pré-ignição.
Tudo isso pra dizer que a receita que é utilizada nas preparações de motores no Brasil há anos está agora sendo implementada no exterior.
Na Prática
A informação revelada pela COBB Tuning é de que o GTR avaliado estava produzindo, na configuração original, 435 cavalos de potência e 60,1 kgfm de torque nas rodas. Após receber o kit do primeiro estágio de preparação da empresa, ainda com gasolina e que consiste em novos bicos injetores de combustível de 800 cc (30% maiores que os originais), sistema de escape sem catalisadores e elevação da pressão das turbinas para 1,1 bar, o bólido japonês teve seu desempenho aumentado para surpreendentes 513 cv e 70,8 kgfm de torque.
Para fazer o modelo funcionar “rendondo” dessa vez com álcool, a COBB utilizou no GT-R, além das preparações do primeiro estágio a gasolina, duas bombas de combustível Walbro (para que o motor não ficasse sem alimento) e teve a pressão de trabalho das turbinas elevada para 1,25 bar. O resultado obtido foi surpreendente: 574 cv e 80,9 kgfm de torque nas rodas (!!!).
Segundo a preparadora o modelo ainda receberá ajustes e um novo coletor de admissão dimensionado, alterações que deverão fazer sua potência saltar para aproximadamente 600 cv. Confira ao lado as fotos do resultado da preparação.