Recorde de vendas? Farsa do emplacamento é descoberta.

Emplacamento de Carro Zero KM.

 

Imagine a cena: você entra numa concessionária, escolhe um carro e o vendedor te oferece o mesmo modelo só que já emplacado. A princípio você acha tudo estranho, mas quando observa o hodômetro vê que ele continua “zerado”. Pois é, pressionadas pelas montadoras para liquidar seus estoques as revendedoras têm abusado dessa prática – principalmente nos finais de ano – para vender mais e, assim, falsamente causar a impressão que a participação daquelas cresceu. A ação não é nova. Prova disso foi o que ocorreu em 2004. Para comemorar os 80 anos da GM no Brasil, Ray Young, presidente da filial brasileira à época, abusou da prática; uma vez que tinha como meta tornar a fabricante líder em nosso mercado. E foi o que aconteceu. A reviravolta do caso aconteceu logo em seguida. Relatado pela imprensa, o fato foi desmentido pela filial brasileira e censurado pela General Motors Corporation. Mas o estrago já estava feito. A confirmação veio em janeiro de 2005, quando a montadora passou para o quarto lugar no ranking, ficando atrás da Ford, já que as unidades vendidas em janeiro haviam sido licenciadas antecipadamente e, por isso, foram contabilizadas como de dezembro.

 

Mesmo condenada pela Fenabrave, a prática voltou a acontecer em 2010, segundo informou o presidente da federação, Sérgio Reze. “A diferença, afirmou ele, é que desta vez quase todas as montadoras usaram a mesma estratégia, fizeram licenciamentos em nome de terceiros, de modo que nenhuma acabou se beneficiando. As vendas explodiram, mas nenhuma marca se destacou“. Conforme as estimativas da Fenabrave se encontram emplacados nas concessionárias 35 mil automóveis antecipadamente licenciados. Portanto, não existiria outra explicação para o avassalador crescimento apresentado pelo mercado em dezembro, quando o Brasil bateu um recorde histórico. E, embora estes veículos venham a ser negociados como “usados” na verdade não deixarão de atrair compradores uma vez que se encontram lacrados e com, ao menos, a primeira parcela do IPVA quitada. O resultado de tal atividade poderá ser visto logo agora em janeiro, quando as vendas se mostrarem fracas, revelou Sérgio Reze, que prometeu eliminar a prática do mercado automobilístico nacional.

Fiat do Brasil vende mais carros que a Fiat italiana.

Fiat Punto Sport

 

O maior mercado da Fiat não é mais a Itália. Desde 2009 se vendem mais carros da montadora aqui do que na própria matriz da marca. Até novembro foram comercializadas 571.700 unidades, o que deverá aumentar ainda mais com a corrida às revendedoras até o final do ano. Muitos irão querer garantir o seu carro novo com financiamento zero, antes que as novas medidas anunciadas pelo governo entrem em vigor. Prova disso são os dados divulgados pela FENABRAVE (Federação dos Distribuidores de Veículos), indicando aumento de 10% nas vendas de automóveis na primeira quinzena de dezembro em relação ao mês passado.

 

Comparando-se o mesmo período entre 2009 e 2010, neste ano o aumento foi mais expressivo, chegando a 41,5%. Quanto à participação no mercado, a Fiat (22,96%) foi quem liderou as vendas dos populares, seguida pela VW (20,48%) e GM (19,16%). Dentre os modelos, a hegemonia, por enquanto, ainda coube ao Gol (14.855 unidades) tendo o Uno muito próximo (14.793), enquanto o Celta, terceiro colocado, vendeu somente 7.244 carros.

Vendas de SUVs superam as de sedãs médios no Brasil.

SUV Q7 da Audi

Segundo a Fenabrave, até novembro foram vendidos mais de 182 mil SUVs o aumento da renda, crédito e juros baixos mudam gosto do consumidor. Os chamados sedãs médios sempre foram objetos de desejo entre os consumidores brasileiros que podiam pagar por um carro com mais tecnologia, itens de série e acabamento sofisticado. Por esse motivo, as fabricantes de veículos sempre investiram na qualidade desses produtos, como uma verdadeira vitrine. Porém, neste ano, modelos como Toyota Corolla, Honda Civic e Chevrolet Vectra perderam espaço para concorrentes bem mais robustos: os utilitários esportivos. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), de janeiro a novembro deste ano foram emplacadas 157.366 unidades de sedãs médios. Volume abaixo das 182.975 unidades vendidas de utilitários esportivos ou SUVs. É a primeira vez que modelos como Ford EcoSport, Hyundai Tucson e Mitsubishi Pajero ganham essa “briga”. O volume chega a superar o total de sedãs médios comercializados em todo o ano passado.

 

O que ajudou a mudar o gosto do consumidor e dar um empurrãozinho nas vendas de SUVs foi a combinação de aumento de renda, disponibilidade de crédito e juros mais baixos. Características de um país com economia estável, que aumenta a confiança do consumidor. “Os segmentos competem hoje. Se você for ver, o que mais vai crescer no Brasil nos próximos anos será o de SUVs, mas o segmento de sedãs sempre reinou”, afirma o gerente executivo de planejamento de marketing da Volkswagen do Brasil, Fabrício Biondo. Apesar da tendência, o diferente gosto entre homens e mulheres é o que vai equilibrar esta disputa. “Os dois segmentos hoje, com o crescimento da renda, se combinam. Você tem consumidores que procuram SUVs por conta da versatilidade, da posição alta de dirigir, por isso ela agrada muito as mulheres. E os sedãs agradam mais os homens”, descreve Biondo.

Mês de junho Fiat se mantém líder, seguida por VW, GM e Ford.

A Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) divulgou o balanço de junho da indústria automotiva. No mês passado, foram comercializados 247.511 automóveis e comerciais leves, o que significa uma alta de 4,97% sobre as vendas de maio. Somando os resultados de janeiro a junho, chega-se a 1.495.693 emplacamentos, montante 7,32% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. “O mercado volta ao normal e o fim do IPI já foi absorvido”, define o presidente da Fenabrave, Sérgio Reze.

Entre as montadoras, a Fiat se mantém na liderança. A marca italiana detém 24,31% das vendas, seguida por Volkswagen com 21%, GM com 19,81% e Ford, com 9,87%. Já o ranking de veículos continua liderado pelo VW Gol, que vendeu em junho 22.179 unidades. Depois dele vêm Uno (19.130), Celta (10.950) e Palio (10.061).